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POR QUE MISSÕES?
“Missões” tem sido a palavra
mais ouvida atualmente em
nossos círculos. Não seria
um exagero, perguntam
alguns? Por que se fala
tanto em missões,
ultimamente? Talvez a
pergunta deveria ser: por
que não se falou mais em
missões anteriormente? O
espírito missionário precisa
caracterizar a Igreja se ela
quiser ser igreja de Cristo.
Não se concebe uma igreja
viva, dinâmica e crescente,
sem o espírito missionário.
Ele faz parte da própria
natureza da igreja, como
agente do reino de Deus.
Propagar as boas novas do
Evangelho, ser o sal da
terra e a luz do mundo,
influenciar a sociedade,
tudo isso é tarefa da igreja
como corpo vivo, como agente
transformador. A igreja é
enviada ao mundo por Cristo
assim como Cristo foi
enviado ao mundo pelo Pai. É
o que se entende por
“apostolado da igreja”.
Jesus disse na Sua oração
sacerdotal: “Assim como tu
me enviaste ao mundo, também
eu os enviei ao mundo” (João
17:18). Por isso, queremos
dar algumas respostas à
questão em epígrafe: Por que
Missões?
1. Porque é um mandamento de
Cristo
Os mandamentos de Cristo não
são sem propósito nem
arbitrários. Eles têm uma
razão, uma finalidade. Mas
isto será visto depois. Aqui
queremos apenas estabelecer
o argumento de que não nos
cabe discutir uma ordem
superior. Se ensinamos aos
nossos filhos que não é
legítimo questionar ordens
de superiores, sejam dos
próprios pais ou de
professores, patrões,
governos, etc, porque a
autoridade sobre nós
constituída é ministro de
Deus (Rm 13:1-2; Ef 6:1-2,
5-7, etc), com que direito
podemos questionar um
mandamento emanado do
próprio Senhor da igreja?
Aos apóstolos e discípulos
Seus, Jesus disse: Ide,
portanto, fazei discípulos
de todas as nações,
batizando-os em nome do Pai,
e do Filho, e do Espírito
Santo; ensinando-os a
guardar todas as coisas que
vos tenho ordenado. E eis
que estou convosco todos os
dias até à consumação do
século (Mt 28:19-20). É
verdade que esta ordem foi
dada primeiramente aos
apóstolos e alguns dos
aspectos nela envolvidos
dizem respeito mais
particularmente a eles, como
os que iriam estabelecer a
igreja neotestamentária e
dar-lhe organização formal.
Batizar os primeiros
discípulos e ensinar-lhes “a
guardar todas as coisas” que
Jesus tinha ordenado só os
apóstolos poderiam fazer,
porque só eles receberam
essa autoridade e só eles
receberam de Jesus os
ensinamentos, tanto aqueles
que Ele lhes tinha dado
pessoalmente, durante Seu
ministério terreno, como os
que deu mais tarde, por
revelação do Espírito Santo,
para que escrevessem as
Escrituras do Novo
Testamento. Jesus tinha
prometido isso a eles,
conforme João 14:26: mas o
Consolador, o Espírito
Santo, a quem o Pai enviará
em meu nome, esse vos
ensinará todas as coisas e
vos fará lembrar de tudo o
que vos tenho dito” e
16:12-14: Tenho ainda muito
que vos dizer, mas vós não o
podeis suportar agora;
quando vier, porém, o
Espírito da verdade, ele vos
guiará a toda a verdade;
porque não falará por si
mesmo, mas dirá tudo o que
tiver ouvido e vos anunciará
as coisas que hão de vir.
Ele me glorificará, porque
há de receber do que é meu e
vo-lo há de anunciar.
Os apóstolos estabeleceram a
igreja com oficiais e
governo e a implantaram em,
praticamente, todas as
regiões do mundo conhecido.
Não só nos campos
mencionados em Atos dos
Apóstolos e nas epístolas,
mas conforme a tradição, em
vários outros lugares como a
Índia, a Etiópia, etc, etc.
A partir dos apóstolos, o
trabalho missionário passou
a ser função essencial da
igreja, parte da sua própria
natureza. É interessante que
não encontramos os apóstolos
dando um outro mandamento,
semelhante ao de Cristo, em
seus escritos. Encontramos
sim, o testemunho de que
estavam cumprindo a sua
tarefa de “pregar”, porque
esse foi o mandamento que
receberam (cf. At 5:42;
16:6; Rm 15:20; 1 Co 1:17;
9:16; 2 Co 2:12; Ef 3:8, Tt
1:3etc.). Mas nem por isso a
igreja do período apostólico
deixou de ser missionária.
Em Atos 8:4 lemos que,
entrementes, os que foram
dispersos iam por toda parte
pregando a palavra. A igreja
não precisou de outro
mandamento. Entendeu que
aquele, dado aos apóstolos,
se aplicava a ela também e
apenas seguiu o exemplo dos
que iniciaram e
estabeleceram esse trabalho.
Isto também não quer dizer
que os apóstolos não
ensinaram a igreja sobre a
sua tarefa de agente do
Reino. Paulo ordenou a
Timóteo que ensinasse a
homens fiéis que pudessem,
por sua vez, ensinar a
outros: E o que de minha
parte ouviste através de
muitas testemunhas, isso
mesmo transmite a homens
fiéis e também idôneos para
instruir a outros ( 2Tm
2:2). É assim que a igreja
vem aprendendo e
transmitindo o ensinamento
de Cristo. Pedro disse que
nossa tarefa, como raça
eleita e sacerdócio santo, é
proclamar as virtudes de
Deus: Vós, porém, sois raça
eleita, sacerdócio real,
nação santa, povo de
propriedade exclusiva de
Deus, a fim de proclamardes
as virtudes daquele que vos
chamou das trevas para a sua
maravilhosa luz (1 Pd 2:9).
A igreja só pode cumprir sua
tarefa de ensinar a outros e
proclamar as virtudes
daquele que a redimiu se
estiver presente entre os
homens, em todos os lugares,
e essa presença se faz
através da sua expansão. E a
sua expansão foi o motivo da
ordem “Ide e fazei
discípulos de todas as
nações”.
2. Porque é um meio de se
chegar à fé e de expandir a
igreja
A Bíblia diz que os que
invocarem o nome do Senhor
serão salvos, mas diz também
que para alguém invocar
precisa primeiro crer e que
para alguém crer precisa
primeiro ouvir e que para
alguém ouvir é preciso haver
quem pregue e que para haver
quem pregue é preciso haver
quem envie (Rm 10:13-15). É
a cadeia da evangelização e
da obra missionária. Na base
dessa cadeia está o Senhor
Deus, que enviou o Senhor
Jesus, que enviou a Sua
igreja, que envia os seus
pregadores.
Este é o caminho de Deus
para trazer os Seus
escolhidos à fé: a pregação.
A pregação pressupõe um
pregador e um pregador
pressupõe uma igreja que o
envie. Só a igreja do Senhor
Jesus pode enviar
pregadores. Só ela tem essa
legitimidade. Por isso,
missão é tarefa da igreja.
Foi assim desde o princípio.
Primeiro a igreja, partindo
de Jerusalém, se fez
presente em Samaria, através
do evangelista Filipe e dos
apóstolos Pedro e João (At
8:5-14), depois em
Antioquia, através de
Barnabé e Paulo (At
11:22-26) e de Antioquia ela
se espalhou para as outras
regiões da Ásia e Europa (At
13:2-4), já nos dias
apostólicos. A igreja, no
seu sentido espiritual, está
presente onde quer que se
encontre um de seus
verdadeiros membros. E ali
está também o testemunho e o
anúncio da verdade de
Cristo, conforme Atos 8:4.
Muitas igrejas começam
assim, com o testemunho e
trabalho de evangelização de
um só crente. Mas, para que
o trabalho seja estabelecido
e confirmado, é preciso que
a autoridade eclesiástica,
devidamente reconhecida, se
faça presente ali. Foi assim
nos primeiros dias, conforme
vimos acima. E tem sido
assim, em todos os tempos.
Se hoje temos a igreja
estabelecida em nosso país
foi porque ela saiu de suas
fronteiras. Primeiro de
Jerusalém, depois da
Palestina, depois da Ásia,
depois da Europa, e depois
da América do Norte para
chegar até aqui. E se hoje
cremos, é porque alguém
atravessou fronteiras e
cruzou mares para nos trazer
o evangelho. Este é o
propósito de missões. Nossas
fronteiras não podem ser
apenas as dos estados de
nossa federação. O
mandamento inclui “todas as
nações”. Nossa visão não
pode ser menor do que a dos
apóstolos e discípulos de
Cristo. É assim que as
pessoas ouvirão e chegarão à
fé, como ouviram em Samaria,
em Antioquia, em Salamina,
em Pafos, etc., etc.. Este é
o caminho que Deus escolheu
para trazer os homens à fé.
3. Porque é um meio de se
fortalecer a igreja local
Um grande engano, provocado
por nossa falta de fé, é
pensar que se nos dedicarmos
à obra de missões, estaremos
enfraquecendo o trabalho
local. Estaremos “desviando”
verbas que poderiam ser
aplicadas em obras
necessárias e até urgentes
em nossas próprias igrejas.
A experiência tem
demonstrado exatamente o
contrário: que igrejas que
se concentram em si próprias
e não têm visão da obra
missionária acabam se
enfraquecendo. A razão é que
não estamos lidando com
números e pessoas, apenas.
Estamos lidando com fatos e
questões espirituais. Uma
igreja que não tem visão
missionária não é uma igreja
fiel. Não está cumprindo o
seu propósito como igreja. E
uma igreja infiel perde as
bênçãos que Deus tem
prometido. “Dai, e
dar-se-vos-á; boa medida,
recalcada, sacudida,
transbordante, generosamente
vos darão; porque com a
medida com que tiverdes
medido vos medirão também (Lc
6:38) é o mandamento de
Cristo. Se isto é verdade no
nosso trato com os homens,
conforme a aplicação de
Cristo nesta passagem,
quanto mais com respeito
àquilo que fazemos em
obediência ao Senhor!
Claro que não estamos
dizendo que os recursos que
devem ser destinados aos
fins locais, como dízimos e
ofertas específicas, devam
ser “desviados” para a obra
geral de missões. O que
queremos dizer é que não
estamos fazendo tudo, quando
nossa contribuição e
interesse se concentram
apenas na obra local. O que
muitas vezes percebemos é
que aqueles que se recusam a
ver os privilégios do
envolvimento na obra
missionária também não têm
em alto conceito a obra
local, nem um grande
interesse nela. Enganam-se
os líderes que pensam que
fazer divulgação ou apelo em
favor da obra missionária em
suas igrejas, ou pedir que
outros façam, vai tirar o
interesse e a visão do
trabalho local. As duas
coisas geralmente andam
juntas. Um crente
interessado em missões e
despertado para as suas
responsabilidades nesse
setor vai ser um crente
operoso e interessado também
na obra local. E,
certamente, vai ser um
crente abençoado com
recursos materiais para
contribuir para ambas as
causas. Temos visto
ministros que levam suas
igrejas a se envolver
intensamente com a obra
missionária e, nem por isso,
suas igrejas têm sofrido.
Pelo contrário, elas têm se
tornado mais vivas e até com
maiores recursos
financeiros. Todos os
recursos vêm do Senhor e Ele
no-los dá, quando nos
dispomos para a obra.
4. Porque é um meio de se
exercer o ministério da
misericórdia
Nosso Departamento
Missionário tem igualmente
recebido e enviado donativos
em espécie, como roupas,
sapatos, remédios, material
escolar, brinquedos, etc.
para atender a algumas das
necessidades de nossos
irmãos mais carentes. É
forçoso reconhecer que temos
feito muito pouco ou quase
nada nesta área. Só aqueles
que visitam os campos podem
dizer em que condições de
necessidade vivem alguns dos
nossos irmãos. Roupas e
sapatos que são enviados das
nossas sobras são recebidos
como preciosidade por
aqueles que nada têm.
Ouvimos que, em certo lugar,
dois irmãos se revezavam na
freqüência aos cultos
dominicais, um de manhã e o
outro à noite, porque eles
tinham apenas uma camisa
para ambos. Fatos como esses
nos comovem e nos
envergonham! A Bíblia diz:
compartilhai as necessidades
dos santos (Rm 12:13). Mas
como vamos “compartilhar”
sem conhecer quais são essas
necessidades? E como vamos
conhecer se não estivermos
envolvidos?
Quando Paulo levantou a
coleta para os pobres de
Jerusalém, contou à igreja
comparativamente rica de
Corinto a experiência que
tivera com respeito às
igrejas da Macedônia (Filipos,
Tessalonica e Beréia). Por
serem pobres ele quis poupar
essas igrejas da
contribuição. E sabem o que
ele diz: Também, irmãos, vos
fazemos conhecer a graça de
Deus concedida às igrejas da
Macedônia; porque, no meio
de muita prova de
tribulação, manifestaram
abundância de alegria, e a
profunda pobreza deles
superabundou em grande
riqueza da sua generosidade.
Porque eles, testemunho eu,
na medida de suas posses e
mesmo acima delas, se
mostraram voluntários,
pedindo-nos, com muitos
rogos, a graça de
participarem da assistência
aos santos. E não somente
fizeram como nós
esperávamos, mas também
deram-se a si mesmos
primeiro ao Senhor, depois a
nós, pela vontade de Deus (2
Co 8:1). Este é um exemplo
de voluntariedade e amor aos
irmãos. E o segredo desse
amor está na última
afirmação de Paulo: E não
somente fizeram como nós
esperávamos, mas também
deram-se a si mesmos
primeiro ao Senhor, depois a
nós, pela vontade de Deus.
Dar-se primeiramente ao
Senhor é o segredo da
voluntariedade e da
generosidade. Quando
consideramos quanto o Senhor
nos tem dado e quando
reconhecemos que tudo o que
somos e temos vem dEle, não
nos sentimos constrangidos a
compartilhar do que temos
com nossos irmãos? Fazendo
isto estamos fortalecendo a
nós mesmos, à nossa igreja
local e à obra geral da
denominação, pois como lemos
em Hebreus 6:10, Deus não é
injusto para ficar esquecido
do vosso trabalho e do amor
que evidenciastes para com o
seu nome, pois servistes e
ainda servis aos santos.
É interessante notar que,
com aquela oferta levantada
entre as igrejas fundadas
pela obra missionária, a
Igreja de Jerusalém, que era
pobre, estava recebendo
dividendos materiais do seu
próprio trabalho. Era a
igreja local sendo
beneficiada pelo fruto de
sua visão missionária. “Dai,
e dar-se-vos-á”. Nossos
campos já estão produzindo
um retorno do investimento
neles feito. Vários
ministros que hoje servem à
Igreja no próprio
Departamento são fruto do
trabalho de missões.
Investir em missões é
investir na própria Igreja.
E esse investimento incluiu
também a identificação com
nossos irmãos em suas
necessidades materiais.
Estas são, dentre outras,
algumas das razões porque a
Igreja precisa envolver-se
em missões. Elas fazem parte
de sua própria natureza e
são essenciais à sua
subsistência, como Igreja de
Cristo. Cumprem o mandamento
do Senhor, trazem os eleitos
à fé, promovem o crescimento
da igreja local e nos levam
a simpatizar-nos com os que
sofrem, fazendo-nos sentir
como membros de uma mesma
família.
João
Alves dos Santos |
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